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Dados não tomam decisões, pessoas tomam.

Por Magalhães Raúl

Introdução

Durante muito tempo, eu acreditei que ter muitos dados era sinónimo de estar no controlo. Dashboards bonitos, gráficos coloridos, relatórios semanais cheios de números. Tudo parecia profissional, sofisticado e, de certa forma, seguro. Afinal, se os dados estavam ali, organizados e atualizados, eu estava a fazer a minha parte. Mas a verdade começou a incomodar quando percebi algo simples: mesmo com todos aqueles dados, algumas decisões continuavam erradas. E outras nem sequer eram tomadas.

“Se este conteúdo fez diferença para você, não deixes passar em branco: com apenas 300kz ou apenas 3$, ajudas a manter este trabalho vivo e incentivas a criação de muito mais conteúdos que realmente fazem a diferença.”

Foi aí que caiu a ficha. Ter dados é um avanço, sim. É melhor do que trabalhar no escuro. No entanto, interpretar esses dados e transformá-los em decisões corretas é um jogo completamente diferente. Um jogo mais humano, mais estratégico e, muitas vezes, mais desconfortável. Porque dados não tomam decisões. Pessoas tomam. E, sem esse passo, dados viram apenas estatísticas de luxo — bonitas de ver, mas inúteis para crescer.

Neste artigo, quero conversar contigo de forma direta e prática sobre isso. Quero mostrar por que data-driven decision making não é sobre acumular informação, mas sobre criar clareza. Vamos falar de erros comuns, exemplos reais, pesquisas recentes e, principalmente, de como transformar dados em ações que realmente fazem diferença, especialmente no contexto do mercado americano e de negócios digitais.

Ter dados não é o problema — achar que isso basta é

O mito do “quanto mais dados, melhor”

Durante anos, o mercado repetiu uma ideia quase como um mantra: “dados são o novo petróleo”. A frase é atribuída a Clive Humby, especialista em data science. E, em parte, ele está certo. Dados têm valor. Mas petróleo bruto, sem refino, não move carro nenhum.

Segundo um relatório da IBM, cerca de 90% dos dados do mundo foram criados nos últimos dois anos, mas apenas uma pequena parte é realmente analisada de forma estratégica. Isso mostra algo importante: o problema não é falta de dados. É excesso sem direção.

Além disso, um estudo da Forrester Research mostrou que mais de 70% das empresas coletam dados regularmente, mas menos de 30% afirmam usá-los de forma eficaz na tomada de decisão. Ou seja, a maioria está sentada em cima de informação valiosa sem saber exatamente o que fazer com ela.

Dados sem contexto criam decisões erradas

Aqui entra um ponto crítico. Dados isolados não contam uma história completa. Eles precisam de contexto. Precisam de perguntas certas. Precisam de interpretação.

Por exemplo:
– Um aumento de tráfego no site parece positivo.
– Mas e se esse tráfego não converte?
– Ou pior, se aumenta o custo de suporte e reduz a margem?

Sem análise, o dado engana. Ele cria uma falsa sensação de progresso. E isso é perigoso.

Data-driven decision making não é sobre números, é sobre escolhas

O que realmente significa tomar decisões baseadas em dados

Muita gente entende data-driven decision making como “deixar os dados decidirem tudo”. Isso é um erro. Dados não substituem estratégia, experiência ou intuição. Eles complementam.

Na prática, tomar decisões baseadas em dados significa:

  • Fazer perguntas certas antes de olhar números
  • Analisar padrões, não apenas métricas isoladas
  • Cruzar dados quantitativos com insights qualitativos
  • Tomar decisões conscientes, mesmo quando os dados são desconfortáveis

Segundo o livro “Competing on Analytics”, de Thomas H. Davenport, empresas que usam dados de forma estratégica têm 5% a 6% mais produtividade e são mais lucrativas do que concorrentes diretos.

Quando os dados contradizem o “feeling”

Esse é um dos momentos mais difíceis. Muitas vezes, os dados mostram algo que não queremos aceitar. Um produto que gostamos não performa. Uma campanha criativa não converte. Um público que parecia promissor não responde.

É aqui que maturidade entra. Ignorar dados porque eles não confirmam a nossa opinião não é estratégia. É ego.

Como Peter Drucker dizia:

“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.”
Mas criar o futuro exige encarar a realidade presente.

O custo invisível de não decidir

Dados parados custam dinheiro

Pouca gente fala disso, mas dados sem ação têm um custo real. Ferramentas de analytics, CRMs, plataformas de automação, horas de trabalho. Tudo isso é investimento.

Segundo a Gartner, empresas desperdiçam em média US$ 15 milhões por ano devido a decisões baseadas em dados de baixa qualidade ou mal interpretados.

Ou seja, não decidir também é uma decisão. E, geralmente, é a mais cara.

O perigo da paralisia por análise

Outro problema comum é o excesso de análise. A famosa analysis paralysis. Esperar o dado perfeito, o relatório completo, a confirmação absoluta.

Enquanto isso:

  • O mercado muda
  • O concorrente testa
  • O cliente decide sozinho

Jeff Bezos fala muito sobre isso na Amazon. Ele defende decisões com 70% da informação disponível. Esperar 90% já é tarde demais.

Exemplos práticos: quando dados viram ação (ou não)

Caso 1: Netflix e o poder da interpretação

A Netflix é um exemplo clássico. Ela coleta dados sobre tudo: pausas, abandonos, repetições, horários. Mas o diferencial não está na coleta. Está na interpretação.

Segundo a Harvard Business Review, a Netflix economiza cerca de US$ 1 bilhão por ano ao usar dados para reduzir churn. Eles não apenas veem números. Eles entendem comportamento.

Caso 2: Pequenos negócios e decisões locais

Não são só gigantes que se beneficiam disso. Um estudo da SBA (Small Business Administration) mostra que pequenas empresas que usam dados para decisões de marketing têm até 20% mais crescimento anual.

Mesmo algo simples como:

  • Horário com mais vendas
  • Canal com melhor ROI
  • Produto com maior margem

Quando bem interpretado, muda tudo.

Por que interpretar dados é uma habilidade humana

Dados não entendem contexto cultural

Especialmente no mercado americano, cultura, timing e narrativa importam. Um dado pode mostrar queda de engajamento, mas só uma análise humana entende se isso vem de:

  • Saturação de conteúdo
  • Mudança de algoritmo
  • Fadiga do público
  • Contexto social ou econômico

Segundo o Pew Research Center, comportamento digital muda rapidamente com eventos sociais. Dados frios não explicam isso sozinhos.

A importância de perguntas melhores

Albert Einstein dizia:

“Se eu tivesse uma hora para resolver um problema, passaria 55 minutos pensando na pergunta.”

Dados respondem perguntas. Se a pergunta for errada, a resposta também será.

Como transformar dados em decisões práticas

Um processo simples e funcional

Aqui está um modelo prático que uso:

  1. Defina o objetivo claro
  2. Escolha métricas que importam
  3. Analise padrões, não exceções
  4. Cruze dados com contexto
  5. Decida e execute rápido
  6. Meça o impacto da decisão

Esse ciclo é o coração do data-driven decision making bem feito.

Ferramentas ajudam, mas não resolvem tudo

Google Analytics, Tableau, Power BI, Looker. Todas são ótimas. Mas nenhuma decide por ti.

Como diz o livro “Thinking, Fast and Slow” de Daniel Kahneman, decisões envolvem sistemas racionais e emocionais. Dados alimentam o racional. A decisão final ainda é humana.

SEO, marketing e dados: onde tudo se conecta

No marketing digital, isso é ainda mais evidente. CTR, CPC, CPA, LTV. Todos são números. Mas:

  • Qual campanha escalar?
  • Qual mensagem ajustar?
  • Qual público abandonar?

Aqui, data-driven decision making define quem cresce e quem fica estagnado.

Segundo dados da HubSpot, empresas que usam analytics de forma estratégica têm até 3x mais leads qualificados.

Conclusão: dados são o mapa, não o destino

Dados são essenciais. Coletar dados é um avanço. Mas sem interpretação e decisão, eles são apenas estatísticas de luxo.

No fim das contas, números não constroem negócios. Pessoas constroem. Dados apenas iluminam o caminho.

A pergunta que deixo não é se você tem dados. É se você está disposto a agir com base neles, mesmo quando a resposta não é confortável.

Principais pontos em destaque

  • Dados sem decisão não geram valor
  • Data-driven decision making exige interpretação humana
  • Excesso de dados pode paralisar
  • Decidir rápido é melhor do que esperar o dado perfeito
  • Contexto é tão importante quanto métricas

FAQ – Perguntas Frequentes

1. O que é data-driven decision making?
É o processo de tomar decisões estratégicas com base na análise consciente de dados, aliada a contexto e objetivos claros.

2. Ter muitos dados garante melhores decisões?
Não. Qualidade, interpretação e ação são mais importantes do que volume.

3. Dados podem substituir a intuição?
Não. Eles complementam a intuição, mas não substituem experiência humana.

4. Pequenas empresas também devem usar dados?
Sim. Mesmo métricas simples já fazem grande diferença.

5. Qual o maior erro ao usar dados?
Não agir ou buscar apenas confirmações de opiniões prévias.

6. Ferramentas de analytics são suficientes?
Não. Elas mostram números, mas não explicam decisões sozinhas.

7. Como começar a decidir melhor com dados?
Definindo objetivos claros e fazendo perguntas certas antes de analisar métricas.


Autor: Magalhães Raúl
Especialista em estratégia, marketing e comportamento digital

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